Home / Doenças / Doenças Mentais / Dependência química – Diagnóstico e Tratamento.

Dependência química – Diagnóstico e Tratamento.

A dependência química é uma condição que afeta muitas vidas, não apenas das pessoas que sofrem desse mal, mas também dos familiares e pessoas mais próximas. O dependente químico pode ter diversos prejuízos no trabalho, nas relações familiares e na estrutura emocional.

Considerada um problema de saúde pública, a dependência química demanda uma ação multidisciplinar de profissionais de diferentes áreas da saúde para uma intervenção bem-sucedida, além do apoio e carinho da família.

O que é a dependência química

Dependência química é uma doença crônica que costuma atingir pessoas que fazem uso frequente de determinadas drogas ou substâncias. A Organização Mundial de Saúde a entende como um transtorno mental e um problema social.

dependencia quimica o que é
A dependência química é o vicio em alguns medicamentos, bebidas ou substâncias que possam piorar a sua saúde

A dependência química é caracterizada pelo descontrole do indivíduo no uso de uma determinada substância.

Pode causar sérios problemas psíquicos, emocionais e físicos ao indivíduo, comprometendo sua vida familiar, social e afetiva. As substâncias que geralmente causam dependência química interferem significativamente nas capacidades de pensar, agir ou sentir. Maconha, cocaína, crack, bebidas alcoólicas e cigarros são as mais comuns.

As drogas que causam dependência química atuam promovendo uma série de desequilíbrios químicos no organismo. O consumo, inicialmente motivado por determinada sensação de prazer, passa a ser fisicamente necessário, causando a dependência química.

Causas da dependência química

As causas da dependência química podem estar relacionadas a própria composição da droga consumida, de fatores genéticos do indivíduo que a consome ou de motivações externas específicas (curiosidade, insônia, necessidade de ficar acordado, expectativas de prazer, etc).

Seja qual for o motivo que leva alguém a consumir uma substância que pode levar a dependência química, geralmente perpassa a ignorância do alto risco da dependência e dos danos que ela traz.

Quando a motivação é a busca por sensações prazerosas ou a fuga de uma dor intensa, o usuário da droga repete o uso continuamente, na tentativa de uma vez mais obter o prazer ou alívio que procura.

Acontece que o comum é o organismo ficar tolerante à substância, de modo que se tornam necessárias doses cada vez maiores da mesma droga para obtenção do prazer que se conseguia nas doses iniciais.

Sintomas da dependência química

Os sintomas da dependência química geralmente envolvem reações físicas que indicam o quanto o organismo do indivíduo necessita da respectiva substância para obter o equilíbrio de suas funções vitais.

Estes são os sintomas mais frequentes da dependência química:

  • Desejo incontrolável de usar a substância (sensação conhecida como “fissura”);
  • Descontrole da vontade: o indivíduo não consegue parar de consumir a droga;
  • Atitudes inconsequentes, que se manifestam em atos imprudentes ou até criminosos para obter a droga (roubos, furtos, etc.);
  • Aumento da tolerância (necessidade de doses maiores para atingir o mesmo efeito obtido com doses anteriormente inferiores ou efeito cada vez menor com uma mesma dose da substância)
  • Síndrome de abstinência, quando totalmente afastado do consumo. A abstinência costuma apresentar sudorese, tremores e ansiedade generalizada.

Você também pode gostar destes conteúdos:

Fatores de risco da dependência química

Existem algumas situações ou fatores que podem contribuir com o surgimento ou mesmo o aumento da dependência química. Esses fatores de risco, no entanto, não necessariamente irão causar dependência química em uma pessoa.

Pode acontecer de um fator de risco ser determinante para uma pessoa, mas não influenciar outra. Esta variação acontece de acordo com a personalidade, o estilo de vida, a idade ou um momento específico que esteja vivenciando, ou mesmo o ambiente em que ela está inserida.

No entanto, os fatores de risco não são necessariamente iguais a todos os indivíduos e podem variar conforme a personalidade, a fase do desenvolvimento e o ambiente em que estão inseridos. Entre eles, pode-se destacar:

  • Tendências genéticas;
  • Transtornos psiquiátricos pré-existentes (como depressão ou transtornos de ansiedade);
  • Falta de acompanhamento dos pais (no caso de adolescentes);
  • Vida familiar desestruturada;
  • Desestabilidade emocional;

Diagnóstico da dependência química

O diagnóstico de dependência química deve ser elaborado pelo devido profissional de saúde preferência psiquiatra ou psicólogo). A formação do diagnóstico tem como referência a observação dos seguintes aspectos principalmente em adolescentes:

  • Influência social: pais, amigos ou pessoas próximas que fazem uso de alguma substância, lícita ou ilícita (permitida ou proibida pela lei);
  • Ambiente familiar isento de regras ou estabelecimento de limites de conduta;
  • Ambiente ou histórico familiar hostil, com relacionamentos difíceis ou ruins entre os membros;
  • Ausência ou baixa noção de responsabilidades;
  • Queda de desempenho na escola, faculdade ou trabalho;
  • Autoestima baixa;
  • Ocorrência de situações traumáticas na infância;
  • Pré disposição genética
  • Aspectos culturais ou sociais, como determinadas convenções de grupos de adolescentes, que usam o consumo de uma droga como condição de reconhecimento;

É importante ressaltar que estes aspectos relacionados acima não necessariamente irão fazer com que uma pessoa experimente uma droga e, consumindo, obrigatoriamente se torne um dependente químico.

Existem, ainda, muitos tipos de questionários de autopreenchimento (ASSIST, AUDIT, CAGE, por exemplo) que podem ser aplicados para auxiliar no processo de formação do diagnóstico. Há também exames de sangue e marcadores biológicos que podem verificar presença de drogas no organismo.

 Tratamento da dependência química

O tratamento para dependência química varia de acordo com o perfil e características do indivíduo, o tipo de droga a que ele se tornou dependente, a quantidade que ele vem consumindo e o grau de dependência atingido até o momento do diagnóstico.

A escolha do tratamento geralmente considera ações conjuntas que envolve medicação para aliviar os sintomas da abstinência, acompanhamento psiquiátrico e psicológico, terapias ocupacionais e/ou de grupo e incentivo a atividades físicas.

Existem casos em que os familiares e o próprio usuário podem optar por um período de internação em uma clínica especializada.

dependencia quimica tratamento
Uma forma de tratar esse problema pode ser a ida a um grupo ou reunião de pessoas que também tenham problemas semelhantes, falar sobre a questão pode ajudar a resolve-la

Durante todo o processo do tratamento, o indivíduo deve ser continuamente acompanhado, preferencialmente por um psiquiatra e um psicólogo. Esta medida garante maiores possibilidades de sucesso. O aconselhável é que este acompanhamento se mantenha e atue como medida preventiva de recaídas.

 Prevenção da dependência química

Existem alguns fatores que podem ajudar na prevenção da dependência química:

  • Familia bem estruturada;
  • Prática de valores religiosos, sejam eles quais forem;
  • Ambiente familiar e social em que não haja consumo de drogas;
  • Cuidados na manutenção do desempenho profissional;
  • Cuidados com a estabilidade emocional;
  • Prática de esportes e de um estilo de vida saudável;
  • Evitar consumo de cigarros e bebidas alcoólicas em excesso;
  • Fazer planos e projetos para médio e longo prazo.

A prevenção de recaídas demanda o acompanhamento contínuo de profissionais médicos especializados, apoio familiar e psicoterapêutico (terapias com abordagens comportamentais são mais indicadas). Terapias ocupacionais podem ser também inseridas no tratamento preventivo.

O sucesso da prevenção de recaídas pode ser avaliado a partir de observações sobre as possibilidades de reconstrução da vida social e profissional, da regeneração de vínculos afetivos e familiares e no continuo afastamento do consumo da droga.

Na ocasião de recaídas (que são, inclusive previsíveis), é recomendada avaliação do tratamento pelos profissionais e para ajustes. O apoio da família e de todos aqueles que são afetivamente próximos ao dependente químico é fundamental, principalmente em um momento de recaída, em que geralmente vem acompanhado de um intenso sentimento de culpa e fracasso.

É importante que o indivíduo compreenda que a recaída faz parte do tratamento, ao mesmo tempo em que é um indício de que ele precisa de alguns ajustes. O dependente também precisa ter consciência de que o seu tratamento será um processo contínuo.

 

Gostou deste artigo sobre dependência química? Então deixe um comentário e curta O universo da saúde no Facebook!


About Portal Universo da Saúde

Universo da Saúde - Um portal com conteúdos de qualidade sobre saúde, doença, causas, tratamentos, remédios caseiros e cuidados. Aproveite nossos conteúdos gratuitos e tome cuidado com a sua saúde.

Check Also

Transtorno bipolar

Transtorno Bipolar Tipo 1, tipo 2 e leve: Causas, sintomas e tratamento

O transtorno bipolar de humor (TBH), também é chamado de distúrbio bipolar e transtorno afetivo …

One comment

  1. Muito bacana.