Cirurgias

Todos os anos milhares de cirurgias são realizadas no Brasil, tanto emergenciais e necessárias, quanto para fins estéticos, como a cirurgia plástica.

Ao longo do tempo, as técnicas cirúrgicas foram aprimoradas e a cada época novas descobertas e novas tecnologias surgem, tornando as cirurgias mais seguras e eficazes.

Além disso, o ensino da medicina se difundiu muito no Brasil, em 2017, segundo o MEC, já existiam mais de 315 faculdades de medicina no país, o que impulsiona a quantidade de profissionais no mercado.

No Brasil, a prática cirúrgica ganhou mais impulso com a chegada da família real em 1808, ganhando uma nova forma de ensino nas faculdades de medicina da época.

Nesta página vamos explicar tudo sobre cirurgia neste guia completo sobre o tema.

Principais Cirurgias no Brasil

O que é cirurgia?

cirurgias

Cirurgia vem do termo em latim chirurgia, que tem por sua vez, origem grega. É um ramo da medicina que trata doenças através de operações.

Na cirurgia, o cirurgião faz intervenções manuais ou com auxílio de instrumentos no corpo de uma pessoa a fim de tratar doenças, traumatismos, melhorar o funcionamento ou aparência do corpo.

As cirurgias são feitas por uma equipe formada pelo:

  • Cirurgião chefe: responsável pelo paciente, pela operação e pelo seu resultado;
  • Cirurgião auxiliar: responsável pelo pré e pós operatório, curativos e prescrição pós operatória, antissepsia do campo cirúrgico e auxilio ao cirurgião chefe em determinados procedimentos;
  • Anestesista: profissional responsável pela avaliação pré-operatória do paciente, cuida da administração de remédios e monitoramento do mesmo;
  • Instrumentador: responsável pela organização dos instrumentos a serem utilizados na cirurgia, confirmando o procedimento a ser realizado, assim como o nome do paciente que será operado;
  • Enfermeiro: responsável por dar assistência direta ao paciente  antes, durante e depois da cirurgia;
  • Circulante da sala: é responsável por manter a esterilização do ambiente e coordenar as atividades relacionadas à cirurgia, antes, durante e depois da operação.

O tamanho da equipe vai variar de acordo com o tipo de procedimento.

Finalidades das cirurgias

As finalidades das cirurgias podem ser definidas em cinco tipos:

  • Cirurgia curativa

Tem como finalidade acabar ou reparar a causa da doença, propiciando a melhora do paciente. Nesse tipo de cirurgia é necessário em algumas situações, a retirada total ou parcial de determinado órgão.

No caso de pacientes oncológicos, a cirurgia curativa tem como objetivo dar uma sobrevida ao paciente. Exemplo de cirurgia curativa: apendicectomia, cirurgia da amígdala, etc.

  • Cirurgia paliativa

Essa cirurgia busca alternativas ou a amenização das causas da doença, mas não a cura dela.

Ex.: Gastrostomia

  • Cirurgia diagnóstica

Essa cirurgia tem como função auxiliar no esclarecimento das causas da doença. Ex.: Laparotomia exploradora.

  • Cirurgia reparadora

Tem como finalidade restaurar artificialmente, parte do corpo ferida por enfermidade ou traumatismo. Ex.: enxerto de pele em pessoas queimadas.

  • Cirurgia reconstrutora/plástica

Cirurgia com objetivos estéticos, reparadoras, para embelezamento. Ex.: Rinoplastia, Abdominoplastia, Mamoplastia, etc.

Tipos de cirurgias

tipos de cirurgias

Para identificar os tipos de cirurgia, é necessário observar a nomenclatura de cada procedimento cirúrgico.

Cada termo é formado por :

  • Prefixo: que identifica a parte do corpo relacionada a cirurgia;
  • Sufixo: que indica o procedimento cirúrgico a ser realizado.

Segue alguns prefixos que identificam o órgão

  • Oto – ouvido;
  • Oftalmo – olho;
  • Rino – nariz;
  • Bléfaro – pálpebra;
  • Adeno – glândula.

Sufixos terminados em ECTOMIA que indicam retirada de um órgão:

  • Apendicectomia – retirada do apêndice;
  • Cistectomia – retirada da bexiga;
  • Colecistectomia – retirada da vesícula;
  • Craniectomia – retirada de parte do crânio;
  • Esplenectomia – Retirada do baço.

O sufixo RAFIA, indica que através de ato cirúrgico, foi feita sutura no órgão indicado no prefixo.

  • Colporrafia – Sutura da vagina;
  • Gastrorrafia – Sutura do estômago;
  • Herniorrafia – Sutura da hérnia;
  • Palatorrafia ou estafilorrafia – Sutura da fenda palatina.

Sufixo PEXIA, indica cirurgia para fixação de um órgão:

  • Hisperopexia – Fixação do útero na parede abdominal ou na vagina;
  • Nefropexia – Fixação do rim na parede abdominal posterior;
  • Orquidopexia – Fixação do testículo no escroto.

Sufixo terminado em SCOPIA, demonstra que houve cirurgia para visualização interna do órgão.

  • Broncoscopia – Exame com visão direta dos brônquios;
  • Cistoscopia – Exame com visão direta da bexiga;
  • Colposcopia – Exame com visão direta da vagina;
  • Endoscopia – Exame com visão direta do estômago.

Os sufixos terminados em OTOMIA, indica cirurgia para abertura de algum órgão.

  • Artrotomia – Abertura cirúrgica de articulação;
  • Cardotomia – Operação para cortar a cárdia, em casos de estenose do esôfago;
  • Coledocotomia – Exploração e drenagem do ducto biliar.

Sufixo OSTOMIA, indica cirurgia para exteriorização de algum órgão

  • Cistostomia – Abertura da bexiga para drenagem de urina;
  • Colecistostomia – Incisão da vesícula biliar para drenagem;
  • Colostomia – Operação para formar abertura artificial no cólon.

Sufixo Plastia, indica cirurgias para reconstrução ou reparação de algum órgão.

  • Artroplastia – Reconstrução da articulação;
  • Queiloplastia – Repara os defeitos dos lábios;
  • Rinoplastia – Cirurgia plástica do nariz.

Existem termos variados que tem um significado específico, como:

  • Enxerto – Transplante de órgãos ou tecidos;
  • Amputação – Cirurgia para retirada de membro ou parte do corpo que esteja necrosada;
  • Anastomose – Cirurgia para criar comunicação entre órgãos ou entre vasos;
  • Artrodese – Fixação cirúrgica de articulação para fundir as superfícies.

Classificação das cirurgias


As cirurgias são classificadas seguindo determinados parâmetros.

  1. Urgência

– Cirurgia eletiva: 

Esse tipo de procedimento cirúrgico pode ser programada porque o paciente não corre risco de vida.
Por exemplo: mamoplastia, gastrectomia.

– Cirurgia de urgência:
Esse procedimento cirúrgico deve ser feito no prazo de 24 a 48 horas,pois o paciente corre risco de vida ou de perda de membros. Por exemplo: apendicectomia, brida intestinal.

– Cirurgia de emergência

A operação deve ocorrer em intervalo de tempo menor que seis horas, pois há risco de vida ou da perda de membros do paciente. Ex.: ferimentos por arma de fogo em região próxima ao coração e traumatismo craniano com formação de coágulos de sangue entre o cérebro e o crânio.

2. Finalidade

  • Cirurgia Curativa: 
    Buscam a cura da doença.
  • Cirurgia Paliativa: 
    Atenuam ou buscam alternativas para tratar o mal causador da doença.
  • Cirurgia Diagnóstica: 
    Explora as causas da doença
  • Cirurgia Reparadora:
    Tem por objetivo reconstituir áreas co corpo com lesão.
  • Cirurgia plástica:
    Tem objetivos estéticos.

3. Porte cirúrgico ou risco cardiológico ( pequeno, médio ou grande)

  • Grande porte: maior probabilidade de perda de fluido e sangue. Por exemplo: cirurgias de emergência, vasculares arteriais.
  • Médio Porte: média probabilidade de perda de fluido e sangue. Por exemplo: cabeça e pescoço – ressecção de carcinoma espinocelular, ortopedia – prótese de quadril.
  • Pequeno porte: pequena probabilidade de perda de fluido e sangue. Por exemplo: plástica mamoplastia e endoscopia.

4. Tempo de duração

Porte I: duração de até 2 horas. Por exemplo: rinoplastia.
Porte II: duração de 2 a 4 horas. Por exemplo: colecistectomia, gastrectomia.
Porte III: duração de 4 a 6 horas de duração. Por exemplo: Craniotomia.
Porte IV:  duração acima de 6 horas. Por exemplo: transplante de fígado.

5. Potencial de contaminação da cirurgia

Cirurgia limpa: Eletiva, fechada, sem presença de dreno e sem traumas. A operação é feita em tecidos estéreis ou que possam ser descontaminados quando não houver processo infeccioso e inflamatório no local.

São procedimentos que ocorrem sem penetração no trato digestivo, respiratório ou urinário. Por exemplo: mamoplastia.

Cirurgia potencialmente contaminada: o procedimento é feito  em tecidos colonizados bactéria pouco numerosa ou em tecido que não possam ser descontaminados facilmente quando não há processo infeccioso e inflamatório, e com falhas técnicas discretas no transoperatório.

Operações com presença de drenagem. Ocorre penetração nos tratos digestivo, respiratório ou urinário sem contaminação significativa. Por exemplo: colecistectomia com colangiografia.

Cirurgia contaminada: operação realizada em tecidos abertos  traumatizados recentemente, colonizados por bactérias, com descontaminação difícil ou impossível e  todas aqueles procedimentos em que tenha ocorrido falha técnica grosseira; na ausência de supuração local; presença de inflamação aguda na incisão e cicatrização de segunda intenção ou grande contaminação a partir do tubo digestivo. Por exemplo: hemicolectomia.

Cirurgia infectada: são todos os procedimentos cirúrgicos realizados em qualquer tecido ou órgão com processo infeccioso (supuração local), tecido necrosado, presença de corpos estranhos e feridas de origem suja. Por exemplo: cirurgias de reto e ânus com secreção purulenta.

6. Sistema de cobrança de acordo com o procedimento anestésico

Nessa classificação, temos portes que vão de 0 a 8, sendo o zero, uma operação com anestesia local, aumentando o porte de forma crescente conforme cresce a complexidade anestésica e cirúrgica.
Portanto, é uma classificação com finalidade de cobrança do convênio e Serviço Único de Saúde (SUS), principalmente dos honorários médicos (anestesista e cirurgião), da instrumentação cirúrgica e da sala de operação.

Período pré-operatório

pré-operatorio

O pré-operatório tem início no momento em que se define a necessidade de uma cirurgia. Ele  termina no momento em que o paciente entra para a  sala de operação.

Esse é um período bem delimitado, apresentando começo e fim. Sua duração vai depender da classificação do tratamento cirúrgico.

Nesse momento é definido o tipo de alimentação que pode ser feita e se pode ser feita, se pode haver ingestão de líquidos ou não e a medicação que deve ou não ser tomada.

O período pré-operatório se divide em mediato, que vai desde a indicação para a cirurgia até o dia anterior a ela e em imediato, que corresponde às 24 horas antes da cirurgia).

Nesse período há a avaliação do paciente a partir do seu histórico clínico. É feito uma entrevista pré-operatória para nova avaliação do estado do paciente, quando possível.

Nesse momento também há a preparação do paciente para a anestesia

Período pós-operatório

O pós-operatório se divide em em duas etapas: o imediato e o tardio. O pós-operatório imediato acontece nas primeiras 72 horas após a operação.

Nessa fase o paciente encontra-se na fase inflamatória de sua recuperação e precisa ser avaliado com cuidado para que  sejam prescritos os cuidados de acordo com os sinais que apresentar.

O paciente ainda apresenta hematomas, equimoses, edema intersticial, dor de intensidade leve a moderada, que necessitam de cuidados por parte da equipe de enfermagem.

Nesse momento podem ser utilizados recursos de eletro analgesia para controlar o desconforto causado pelo edema, após o fim do efeito da anestesia.

No dia seguinte à operação até o terceiro dia de pós-cirúrgico,podem ser feitas manobras de massagem nas áreas distantes dos locais operados como costas, ombros e região cervical, para aliviar a tensão muscular.

As técnicas de drenagem linfática manual podem ser utilizadas na área tratada e respeitando a dor, ainda por cima do modelador.

O pós-operatório tardio inicia do terceiro ao décimo dia de intervenção, com procedimentos  para controle do edema.

Do décimo dia em diante, o tratamento evolui conforme a resposta do paciente e a liberação médica.

Tempos cirúrgicos ou operatórios

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Os tempos cirúrgicos são manobras ou procedimentos consecutivos realizados pelo cirurgião desde o início até o fim da operação. (link para imagens de tempos cirúrgicos)

São quatro fases ou tempos básicos e fundamentais durante um procedimento cirúrgico:

Diérese: dividir, cortar e separar.

Nessa fase é feita a separação dos planos anatômicos ou tecidos para atingir um órgão ou uma região (cavitária ou superfície).Pode ser classificada em :

Mecânica: utilização de instrumentos cortantes, como bisturi, tesoura ou serra. Cada instrumento é utilizado de acordo com o tipo de tecido ou região a ser abordada.

Na diérese mecânica há tipos de procedimentos específicos como:

  • Punção: agulha ou trocarte é introduzido nos tecidos, separando – os sem contudo, cortá-los. Tem por objetivo drenar líquido ou coletar fragmentos de tecido ou líquido orgânico para exame diagnóstico;
  • Secção: é a ação de cortar, dividir tecidos, utilizando material cortante como tesoura, serra, lâmina ou bisturi;
  • Divulsão: nesse procedimento, os tecidos são afastados nos planos anatômicos, sem corta-los, utilizando tesoura romba, pinça, tentacânula e afastadores;
  • Curetagem: é a raspagem da superfície de um órgão com ajuda da cureta (instrumento que tem formato de uma colher), com bordas cortantes;
  • Dilatação: nesse processo se busca aumentar o diâmetro de canais e orifícios naturais, como por exemplo, dilatação da uretra;
  • Deslocamento: é a separação dos tecidos de um espaço anatômico virtual, como acontece no deslocamento da vesícula do leito hepático.

Física: utiliza recursos especiais e pode ser dividida em térmica, por crioterapia ou por lazer.

  • Diérese térmica: nesse procedimento é utilizado o calor, produzido através da energia elétrica. Ex.:  bisturi elétrico;
  • Diérese por crioterapia: é feito um resfriamento intenso e brusco da área onde será feita a intervenção cirúrgica. Ex.: resfriamento com nitrogênio líquido;
  • Diérese por lazer: são utilizadas ondas luminosas, em raios infravermelhos, concentradas e de alta potência. O sistema lazer é obtido a partir de materiais em estado sólido, líquido ou gasoso.

Cada tipo é aplicado em diferentes especialidades médicas.

HEMOSTASIA

É o processo pelo qual se impede ou previne o sangramento. São dividas em três tipos: preventiva ( medicamentosa ou cirúrgica), urgência e curativa.

Preventiva

Medicamentosa: se baseia em exames laboratoriais para verificar tempo de coagulação e sangria e dosagem de protrombina.

Cirúrgica: é realizada a fim de interromper, temporária ou definitivamente, a circulação durante o procediemento cirúrgico.

Urgência

É realizada, na maioria das vezes, quando não há condições favoráveis e com material improvisado. ex.: compressão digital ou manual.

Curativa

É feita durante a intervenção cirúrgica. Pode ser:

  • Medicamentosa: gel hemostático;
  • Mecânica: uso de pinças;
  • Física: bisturi elétrico;
  • Biológica: cola biológica.

Cirurgia propriamente dita ou Exérese

Nessa etapa é realizado efetivamente o tratamento cirúrgico.

Esse  é o momento onde o cirurgião realiza a intervenção cirúrgica no órgão, tecido ou região desejada, com objetivo de diagnosticar, controlar e resolver o problema, buscando reconstituir a área, deixando-a mais próximo possível da perfeição fisiológica.

SÍNTESE

É nesse momento que é realizada a união de tecidos. A perfeição dessa união, dependerá de quão anatômica foi a separação.

A síntese pode ser: cruenta, incruenta, completa, incompleta, mediata e imediata.

  • Síntese cruenta: utiliza-se instrumentos apropriados como agulhas de sutura, fios cirúrgicos e outros;
  • Síntese Incruenta: a aproximação dos tecidos é feita através de ataduras, gesso, esparadrapo;
  • Síntese completa: a aproximação dos tecidos é feita em toda a dimensão da incisão cirúrgica;
  • Síntese incompleta: a aproximação dos tecidos em toda a extensão da incisão, em consequência da colocação de dreno em determinado local dessa incisão;
  • Síntese mediata: é realizada a aproximação dos tecidos algum tempo depois da lesão;
  • Síntese imediata: é realização da aproximação dos tecidos após traumatismos. Ex.: corte em supercílio, rosto ou outras partes do corpo.

Conhecemos nesse artigo, as fases de uma cirurgia, os tipos de procedimentos cirúrgicos e suas classificações.

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