Fertilização in vitro – Como é feito o procedimento e riscos

O processo de fertilização in vitro (FIV) foi um divisor de águas na medicina reprodutiva no início dos anos de 1980. De lá para cá as novas tecnologias estão obtendo cada vez mais sucesso na concepção de bebês que, de outras formas, não poderiam ter nascido.

São muitos os casais que conseguiram realizar o sonho de ter um filho através da fertilização in vitro. No entanto, trata-se de uma técnica reprodutiva que tem algumas complexidades e riscos e não se deve escolhe-la de forma impulsiva.

Conheça mais sobre a fertilização in vitro: o que é, como acontece, para quem é mais indicada, riscos e valores de custo.

O que é Fertilização in vitro?

Fertilização in vitro (FIV) é um tipo de procedimento de reprodução medicamente assistida. A técnica permite a indução do processo de fertilização em ambiente controlado.

o que é fertilização in vitro
A fertilização in vitro é um procedimento que pode ajudar mulheres a engravidar, porém, pode ser muito arriscado e não ter sucesso

A fertilização in vitro consiste na retirada de ovócitos e na sua aproximação de 50 a 100 mil espermatozoides para cada ovócito. A finalidade é garantir pré-embriões com boas chances de se desenvolverem.

Os ovócitos fecundados, agora na condição de pré-embriões irão retornar para a cavidade uterina. A expectativa é de que pelo menos um deles se adapte às condições do útero materno e prossiga na gestação.

Tanto o procedimento de retirada dos ovócitos como de recolocação dos pré-embriões devem ser realizados em ambiente clínico, devidamente esterilizado e pelo profissional médico.

As etapas da fertilização in vitro

  • Estimulação da ovulação

O procedimento de fertilização in vitro começa com um tratamento que a mulher deve submeter-se para induzir a maior produção possível de ovócitos. O tratamento é realizado com a administração de medicamentos (gonadotrofinas, como é o caso de LH e FSH).

É realizado também todo um acompanhamento médico regular (com uma série de ultrassonografias transvaginais e dosagens hormonais), para monitorar os efeitos da estimulação e planejar melhor o dia para a extração dos óvulos.

Entre 34 – 36 horas antes da extração será administrada uma injeção de gonadotrofina coriónica (hormônio produzido pela placenta), que irá induzir a maturação do ovário, para permitir a extração dos óvulos.

  • Coleta de óvulos

Uma agulha longa e fina é introduzida na vagina (monitorada pelo uso de um ultrassom transvaginal). A agulha deve alcançar o ovário para que os óvulos sejam extraídos.

O médico conduz a agulha em direção aos folículos ovarianos (pequenas bolhas de líquido dos ovários que guardam os ovócitos). Os ovócitos extraídos serão analisados, classificados e mantidos em armazenamento especial. Após 2 a 4 horas ambientados, os ovócitos serão fertilizados.

Os espermatozoides que irão fecundar os ovócitos são obtidos por meio de coleta por masturbação assistida. São também sujeitos a análise e armazenamento especial. Os melhores na motilidade e forma são escolhidos e colocados ao redor de cada ovócito em grupos de 50 a 100 mil.

Após cerca de 16 horas, os ovócitos são observados para identificar o estado de fecundação e o status da evolução para pré-embriões de alguns deles. A partir desse momento, tem início a divisão celular para a formação pré-embrião.

24 horas (1 dia) depois da fertilização, já é possível identificar pré-embriões com 2 células.  Passadas 48 horas (2 dias), 4 células; após 72 horas (3 dias) 8 células e assim sucessivamente, sempre em progressão geométrica.

  • Transferência dos pré-embriões

A transferência dos pré-embriões para a cavidade uterina é então efetuada através de um fino tubo de plástico especial (catéter), após 2 a 5 dias da coleta dos ovócitos. Geralmente são transferidos 2 a 3 pré-embriões para a cavidade uterina.

Cerca de 10 a 12 dias após a transferência, é feito exame de sangue (dosagem de beta-HCG) para confirmação da gravidez.

Riscos da fertilização in vitro

  • Riscos no uso das medicações

Para viabilizar a fertilização in vitro, são utilizados medicamentos injetáveis para fertilidade (gonadotrofinas). Estes medicamentos, no entanto, podem causar alguns efeitos indesejáveis:

  • Fadiga;
  • Mudanças de humor;
  • Reações alérgicas temporárias;
  • Náuseas e vômitos;
  • Hematomas leves e dor no local da injeção;
  • Aumento da secreção vaginal;
  • Sensibilidade nas mamas;
  • Síndrome de Hiperestimulação Ovariana (SHO).

A maioria dos sintomas da SHO (náusea, inchaço, desconforto ovariano) são leves e costumam desaparecer sem tratamento dias após a coleta do óvulo.

Há, porém, alguns casos mais sérios, em que a SHO pode causar grande acúmulo de líquido no abdômen e pulmões, ocasionando crescimento exagerado dos ovários, desidratação, problemas respiratórios e dor abdominal intensa.

  • Riscos no procedimento

Estes são alguns riscos que envolvem a fertilização in vitro:

  • Lesões em órgãos próximos aos ovários, como bexiga, intestino ou vasos sanguíneos;
  • Cólicas leves durante a inserção do cateter no colo do útero
  • Corrimento vaginal ou leve sangramento após o procedimento;
  • Infecção (muito raramente), normalmente tratada com antibióticos;
  • Possibilidade de gravidez múltipla, que costuma ser de risco e com parto prematuro;
  • Aborto espontâneo (este risco aumenta conforme a idade da mulher)
  • Gravidez tubária
  • Gravidez ectópica (tubária) com fertilização in vitro (muito raramente). Precisa ser interrompida.
  • Gravidez heterotópica (muito raramente). Ocorre quando um pré-embrião se instala no útero e outro na trompa. Quando acontece, o implante alojado na trompa deve ser extraído e a gravidez uterina pode transcorrer normalmente.

Para quem é indicada a fertilização in vitro

A fertilização in vitro, mesmo trazendo resultados muito positivos, é um procedimento invasivo (principalmente para a mulher) e caro. Trata-se, portanto, de uma técnica de reprodução assistida recomendada a grupos específicos de pessoas:

  • Homens com alterações seminais (baixa concentração de espermatozoides, redução da motilidade ou morfologia inadequada);
  • Homens submetidos a vasectomia;
  • Homens com ausência de espermatozoides na ejaculação, os quais podem necessitar de sêmen de doador;
  • Mulheres com endometriose;
  • Mulheres que apresentam pouca quantidade ou qualidade de óvulos;
  • Mulheres com problemas nas trompas de falópio, como obstruções ou algum tipo de dano;
  • Homens ou mulheres com alterações de cariótipo, incluindo mosaicismos;
  • Homens ou mulheres com histórico familiar de doença genética;
  • Casais que manifestam ISCA (infertilidade sem causa aparente);
  • Tentativas frustradas de concepção com outros tratamentos mais simples.

Você também pode gostar destes conteúdos:

Valor da fertilização in vitro

O tratamento de fertilização in vitro conta com profissionais especializados e equipamento sofisticado para sua realização. Os custos para quem busca este serviço são consideráveis, ainda que possam variar de acordo com a clínica procurado.

É importante lembrar que os planos de saúde não cobrem este procedimento. O custo total de um ciclo (ou tentativa) de fertilização in vitro completo pode chegar a 20 mil reais. As clinicas costumam propor alguns planos de parcelamento.

Fertilização in vitro: fazer ou não fazer?

O percentual de sucesso de uma fertilização in vitro é de, em média, 40%, ainda que novas técnicas em estudo estejam prometendo um aumento deste índice para 70%. Em todo caso, trata-se de cara e invasiva, a fertilização in vitro não garante a gravidez.

fertilização in vitro preço
Ao pensar em fazer a fertilização in vitro, deve avaliar não só o preço, mas os riscos desse procedimento e sua taxa de sucesso muito baixa

Antes de optar por esta técnica de concepção, é importante considerar as chances de sucesso, os riscos envolvidos e, principalmente, se já não foram esgotadas outras alternativas.

Uma vez optando pela fertilização in vitro, é igualmente importante procurar clínica e profissional médico de referência e seguir o tratamento à risca. O investimento, afinal, não envolve apenas dinheiro, mas também o compromisso com todas as fases do procedimento.

 

Gostou deste artigo sobre fertilização in vitro? Então deixe um comentário e curta O universo da saúde no Facebook!

5 (100%) 23 votes

One comment

  1. Nossa! Quanta informação de qualidade nesse site. Parabéns e sucesso